Mercado asiático – Um negócio da China para as grifes de luxo

Indústria da Moda, Mundo, Negócios
12 de julho de 2011 21:46

Sob a batuta de Karl Lagerfeld, a Fendi apresentou um belíssimo desfile em 2007, nas Muralhas da China – Imagens Ionline

 

O fascínio dos ocidentais pela cultura oriental é milenar. Depois de atravessar o descobrimento da seda na Antiguidade, passar por Paul Poiret nos anos 20, atingir o apogeu nas década de 70 e 80 com o  cruzamento das duas culturas propostas por Kenzo Tanaka, Yoji Yamamoto e Comme des Garçons, ela ainda é uma fonte inesgotável de inspiração. No entanto, atualmente não só a cultura está chamando a atenção dos designers de moda, como também o crescimento do poder de compra da população de lá.

É bem verdade que o Japão, considerado a maior potência do mundo, está atravessando uma crise econômica, e embora já esteja  se recuperando, muitos estudiosos acreditam que dificilmente o país voltará a ser como era antes. Sendo assim a China é a bola da vez – dona da mão-de-obra mais barata do mundo – que garante à muitas grifes de luxos a possibilidade de produzirem os seus produtos por lá, garantindo, assim,  alguns benefícios fiscais obtendo maior lucratividade.

Na região de Hong Kong ou Macau, por exemplo, marcas como Yves Saint Laurent e Ralph Lauren comercializam os seus produtos com menos impostos. Vale a pena lembrar que isso não é um privilégio da indústria têxtil exclusivamente, os  setores como o de móveis, decoração, joalheria entre outros também se beneficiam  com  a indústria produtiva do país.

Mas por que tanto interesse na China? A empresa de consultoria Mintel mostra o crescimento fenomenal da renda per capta dos Tigres Asiáticos nos últimos anos. Enquanto a Europa Ocidental levou entre 150 e 200 anos para aumentar o PIB per capita de US$ 1.000 para US$ 2.000,  no Japão esse processo levou 40 anos e na China apenas 10 anos.

De olho nesse boom econômico, muitas empresas estão focadas no maior mercado do mundo, não só em tamanho, afinal é na China também se concentra uma enorme população de jovens milionários que detêm o maior poder de compra da atualidade. Segundo uma pesquisa realizada  pelo CLSA, os consumidores chineses gostam de mostrar a sua riqueza e sucesso, mas não se preocupam apenas com eles mesmos – a maioria deles também gosta de presentear amigos e família.

Em 2010 uma outra pesquisa realizada pela Bain & Company apontou  o aumento de 20% no consumo de luxo por parte dos chineses. Para se ter uma idéia, só a grife italiana Prada teve um crescimento de  vendas de 51%  no mercado asiático,  75%  concentrou-se na  China.

Em busca da exclusividade, os chineses evitam roupas que lembrem uniformes e vão de encontro à criatividade das marcas que disputam o gosto apurado da população exigente, onde principalmente as mulheres lotam as lojas para saciar o apetite recém-adquirido pelo consumo de luxo. Nas ruas de Pequim e Xangai, os logos das grifes Gucci e Louis Vuitton estão por toda a parte, sem levar em conta o grande número de produtos pirateados.

A verdade é que  a Ásia, em especial a China  tornou-se a obsessão do momento. São inúmeros desfiles realizados no continente, além dos temas das coleções que destacam a cultura local.  Se continuar nesse ritmo frenético, de acordo com a consultoria PricewaterhouseCoopers, até 2015 a China deve se tornar o principal comprador mundial de produtos de luxo. Quem viver verá!

 

Chanel Paris-Shanghai Métiers D’Arts collection 2009-2010 – Imagem New Fashion News

 


Para se ter uma idéia do quanto o mercado de luxo está apostando na China, o grupo LVMH, por exemplo, dono de marcas como Dior e Louis Vuitton, planeja investir USUS$ 500 milhões na construção de shopping centers e na abertura de novos pontos de venda – Imagem Luxury-Insider


“Quero vender uma camiseta para cada chinês”, afirmou a fashion designer Diane von Furstenberg ao inaugurar a sua loja na cidade de Beijing em 2010 – Imagem do blog Chow Rio

Depois da Louis Vuitton,  a Cartier é a segunda marca de luxo  que mais agrada aos chineses – Atelier de Marketing

 

A Burberry, conhecida por ser uma empresa tradicionalmente britânica, está investindo cerca de US $ 40 milhões em mercados emergentes neste ano, algumas delas voltadas para um upgrades digital. Os consumidores mais jovens são os responsáveis pelo crescimento do comércio eletrônico na China, onde a venda  de produtos online saltou 95% para US $ 82 bilhões em 2010, de acordo os dados da pesquisa de mercadode de marketing da Ásia – Fonte e imagem The Wall Street Journal

 

A Shang Xia é uma marca chinesa, pertencente à Hermès. Os produtos que vão desde roupas, artigos de decoração, sapatos e utensílios de mesa – uma coleção inspirada em chá, e feita a partir de materiais tradicionais asiáticos, como cashmere, bambu e porcelana. Baseando-se no artesanato chinês, todos os produtos são desenvolvidos e fabricados na China por uma equipe chinesa – Imagem Luxuo

 

Fontes – Revista Especial Caras Fashion, edição 3,  The Independent, Luxury-Insider e   Isto é Dinheiro

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